domingo, 10 de setembro de 2017

Como é bom despertar

Como é bom despertar,
No teu sorriso brincar.
A tua boca queria beijar,
Para não ter como voltar.

O teu olhar apaixonado
Que me deixa desnorteado,
É como fogo para me queimar
Com tanta cede de amar.

As travessuras do teu corpo
São difíceis de evitar.
O teu desejo não é pouco,
Não tem forma de controlar.


Recordações

Não quero acordar deste sonho em que te posso ter. Imaginar não te tocar, ver e sentir é doloroso demais para suportar.
 Ao menos aqui tu ainda existes e permaneces, a cada novo acordar a tua luz me incendei-a de tal maneira que o inverno não parece existir contigo por perto. Como é bom despertar, no teu sorriso brincar que não apetece parar.
 Acordar e ver esse teu corpo através da luz entrecortada da manhã, sentir-te respirar como se não houvesse problemas em que pensar. Café da manhã a dois no quarto que é nosso, sem pensar no tempo, nem em ninguém que possa atrapalhar este amor desassossegado.
 Este sonho teu e nosso, que acaba por ser mais meu que outra coisa, é o que te mantem vivo na minha memória, pois tu partiste cedo demais com tanto que tinhas para dar à vida, para a nossa vida, mas…
 A vida tem que seguir em frente, embora as tuas memorias [nossas memorias] continuem desenhadas nas paredes desta casa, onde cada foto conta uma aventura e travessura.

Viagem

Estes meses de verão têm sido maravilhosos, sol, praia, festas, e acima de tudo boa companhia. Até agora ainda não percebi como tudo aconteceu tão rápido, num momento estava a disfrutar um por-do-sol maravilhoso, numa praia deserta, e no outro tu já estavas ao meu lado, mal nos conhecíamos mas mesmo assim ali estávamos, dois perfeitos desconhecidos a apreciar um momento sozinhos, foi como se aquela imagem tivesse falado por si. A partir daí pequenos encontros e desencontros nos ligaram ao que existe hoje.
 Dois desconhecidos que já não se largam, que fazem vida como se casados se tratassem. O coração dele é dela e o dela é dele, dois corpos que se juntaram numa só alma iluminada.
 Mas o verão acaba depressa e num instante o outono já está à porta à espera de entrar. E ai que tudo se desmorona com os dias mais frios a chegar que a consciência da despedida arrebata todo o ser. As condições desta relação tinham sido dadas logo no seu inicio mas na altura da verdade ela sempre custa um pouco.

 Agora é a hora de dizer adeus pois cada um segue a sua viagem, um pro norte, outro pro sul, ou será um para oeste e o outro para este?! Quem sabe se no verão que vier os ventos e as marés não nos irão juntar para mais um verão apreciar.


Amor que não acaba

 A noite ia alta quando ele chegou a casa, depois de um dia de trabalho só lhe apetecia aconchegar-se na sua cama e relaxar nos braços da mulher que amava.
Percorreu a passos largos o vão da escada de acesso ao piso superior em que ficava o quarto e como habitualmente sem acender a luz, entrou no quarto e foi se despindo para se juntar à amada no seu ninho de amor como chamavam.
Como sempre ela ao senti-lo no quarto acabou por acordar, e até surpreende-lo ao puxa-lo para a cama para matarem o desejo que tinham um do outro. Só ela sabia mesmo o que ele precisava depois de um dia de trabalho, e tê-la nos seus braços era a melhor secção que ele podia ter, ele adorava senti-la a dormir sobre o seu peito despido, a sua respiração contra a pele, o cabelo dela todo bagunçado espalhado sobre o peito dele. Como ele a amava apesar de tudo, ela era a pequena dele mesmo depois de tantos anos juntos.
A luz do dia iluminou o quarto, lá tinha que ele largar aquele aconchego para trabalhar, ele pensou em acorda-la para repetirem a secção da noite anterior, mas…
Ao virar se para o outro lado da cama é que a realidade o atingiu, e percebeu que ela já não estava nem iria voltar. E que a noite passada não tinha passado de mais uma das muitas brincadeiras da sua mente desde que o amor da sua vida partiu.
Mas ele até gostava destas partidas da mente, pois eram a forma de continuar e nunca esquecer a amada.

Sem olhar para trás

Está difícil seguir em frente, sem olhar para trás, para algo que nem aconteceu mas marcou. Mal comparado foste uma tempestade que me atingiu sem aviso prévio e que fez desmoronar tudo o que existia.

Está difícil te esquecer mas não é por te amar, mas sim, porque quase tudo me recorda algo teu, nosso. As brincadeiras que tínhamos durante o trabalho e fora dele são quase as mesmas que tenho com os meus novos colegas. Tu eras capaz de gostar deles, até já te imagino a tentares formar casalinhos no grupo. Mas como sempre quase sempre falhavas nessa resolução, embora … sempre foi mais fácil resolver os problemas dos outros que os nossos próprios por isso é que deixavas passar o obvio que o casal que tinha mais chances e que ficava mais bonito eramos nós, mas nunca abristes os olhos para essa realidade. 

Não vou correr atrás

Não vou correr atrás de quem não merece o meu coração, se não souber ficar não merece que eu vá atrás. Não vou pedir para voltar quando só soube brincar com os sentimentos alheios, como se fosse uma criança que não sabe a noção do certo e do errado.
Não vou sofrer por alguém imaturo que não sabe o que quer, é melhor seguir em frente que ficar olhando para o passado que não existia verdadeiramente.
Podem chamar de orgulho besta esta teimosia de não ir atrás de não querer demonstrar que me importo mas às vezes é melhor que sofrer por “crianças” que não sabem se hoje é só hoje ou se fica para o amanhã. Prefiro a minha vida como esta a ter que aturar as tuas aventuras e parvoíces que demonstram o irresponsável e a criança que tens dentro de ti e que só irá crescer possivelmente com algum susto que as tuas brincadeiras irão criar.
Não corro atrás de ti para não sofrer por amor de ti.