Todos
temos medo de algo, desde animais, barulhos, ao medo de perder alguém. Eu não sou
exceção! Sempre vivi um pouco alheia a seção de morte, perca, esses sentimentos
eram absolutamente desconhecidos para mim durante grande parte da minha infância
até que caiu me a realidade entre mãos. Quando tive verdadeiramente medo, e que
o meu mundo não estava bem, pois a pessoa que sempre estava comigo, que me
criava, educava e amava já não iria entrar pela porta do meu quarto e acordar-me
do seu jeitinho único que uma avó sabe fazer. Como uma criança que não entende
nada sobre mortes e que sempre foi protegida disso é um pouco complicado
explicarem algo do género. O que resultou numa fantasia, pois para me proteger
e por não querer acreditar, na minha cabeça a minha avó, que era mais que isso,
era uma mãe e meu anjo da guarda, ainda se encontrava internada no hospital.
Esta fantasia ainda durou alguns anos, uma vez que não me foi permitido
assistir ao funeral por ser uma criança e pensarem que não iria aguentar, o que
é certo, é que durante uns cinco longos anos eu fui sempre perguntando aos meus
pais porque não íamos ver a avó ao hospital. Claro que isto tornava se doloroso
para eles, que não tiveram outro remedio senão levarem-me ao cemitério para que
a verdade pode-se chegar há minha cabeça.
Mais
doloroso ainda foi assistir ao crescimento da minha irmã sem que esta tenha
tido o apoio que eu tive, o tipo de educação, a infância. Vê-la ter medo de
dizer algo ao avô que o possa magoar e ao mesmo tempo querer saber algo sobre a
pessoa fantástica que ela não conheceu.
Agora
passados já alguns bons anos, e olhando para trás, prefiro lembrar me dos
momentos da infância em que a família estava reunida, e sempre com brincadeiras
e carinhos. Agora pensando no que não disse por ter muita tenra idade, penso
que é altura de demonstrar o que sentimentos e alegrar a vida de quem ainda nos
resta pois se podermos ter boas memórias do passado o futuro vai ser bem
recordado.
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