quarta-feira, 27 de abril de 2016

Interrogações


Todos nós pensamos em ser felizes ao lado daquela pessoa. Mas será que estamos destinados para aquela pessoa e não para outra? Será que saberemos quando deixar de procurar por aquela pessoa especial e deixar o tempo atuar como só ele sabe fazer? Como reagimos quando, o nosso coração bate desenfreadamente por uma pessoa, mas sabemos que essa relação é impossível, por os sentimentos não serem mútuos?

Nós temos o dom de imaginar pessoas perfeitas, sem defeitos, como se ainda fossemos crianças a viver um conto de fadas e a sonhar com o príncipe encantado ou com o cavaleiro andante que nos vai acordar do pesadelo. Andamos grande parte da vida, perdidos nesta ilusão pela perfeição que acabamos por perder as pequenas coisas que dão sabor à vida, que nos fazem subir a adrenalina e querer recordar para sempre. Esta cegueira não permite ver quem sempre nos ajudou quando caímos e apoiou quando nos levantamos, quem esteve sempre lá por nós, porque nos amavam. Pois uma vida sem amor, é uma vida triste, cinzenta e fria. O amor aquece o coração, incendei-a a alma e ilumina a vida; o amor é o objetivo porque lutar, a chama a alcançar é o que levamos desta vida depois de o transmitirmos a quem dele necessitar. O amor pode ser de pai/mãe, irmã(o), avó(ô), tio(a), sobrinho(a), este é o amor mais puro, primitivo, que nos acompanha desde o momento em que nascemos até ao que morremos, este não se aprende nasce-se com ele. Também existe o amor de amigos, quando já convivem juntos há muito tempo, quando se tratam quase como uma família não de sangue mas de coração. Depois vem o amor entre duas pessoas que sentem-se atraídas uma pela outra, um amor que transmite proteção/segurança, carinho, paixão, respeito e lealdade, o que todos procuram mas nem todos acham.

Muitas vezes a alma gémea procurada estava mesmo ao nosso lado mas por sermos parvos e burros, não existe outra forma de caraterizar o ser humano em relação a isto, deixamos abalar, por algo que fizemos ou dissemos sem ter a consciência que aquela pessoa que sempre nos apoiou, o fez como uma forma de demonstrar o que sentia por nós. Mas o que nós fizemos? Maioritariamente ignoramo-la e rebaixamo-la por estarmos interessados em algo que não existe, uma imagem fantasiada que criamos como ser perfeito.  Quando mais tarde temos noção do que fizemos e somos atingidos pela verdade que a pessoa certa para nós já não está por perto a única solução é deixar o tempo atuar, e sarar todas as feridas que possamos ter criado.

 E quando o coração gosta de ser dramático e apaixona-se por alguém que não está propriamente ao nosso alcance, e a única solução é nos afastarmos para que não entremos numa montanha russa em que a ultima paragem é um desfiladeiro. Afastar, porquê? Boa questão, normalmente quando nos apaixonamos por alguém que gosta de outra pessoa, a tendência poderá ser fazer a outra pessoa apaixonar-se por nós. Mas quando isso é impossível e sabemos que não irá resultar em nada de bom, o melhor será deixa-lo ser feliz com que ele ficar. Porque amar é querer a felicidade da outra pessoa, mesmo que para isso tenha que se afastar, pois a felicidade do outro já nos deixa felizes.

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