Todos nós pensamos em ser felizes ao lado daquela
pessoa. Mas será que estamos destinados para aquela pessoa e não para outra?
Será que saberemos quando deixar de procurar por aquela pessoa especial e
deixar o tempo atuar como só ele sabe fazer? Como reagimos quando, o nosso
coração bate desenfreadamente por uma pessoa, mas sabemos que essa relação é
impossível, por os sentimentos não serem mútuos?
Nós temos o dom de imaginar pessoas perfeitas, sem
defeitos, como se ainda fossemos crianças a viver um conto de fadas e a sonhar
com o príncipe encantado ou com o cavaleiro andante que nos vai acordar do
pesadelo. Andamos grande parte da vida, perdidos nesta ilusão pela perfeição
que acabamos por perder as pequenas coisas que dão sabor à vida, que nos fazem
subir a adrenalina e querer recordar para sempre. Esta cegueira não permite ver
quem sempre nos ajudou quando caímos e apoiou quando nos levantamos, quem
esteve sempre lá por nós, porque nos amavam. Pois uma vida sem amor, é uma vida
triste, cinzenta e fria. O amor aquece o coração, incendei-a a alma e ilumina a
vida; o amor é o objetivo porque lutar, a chama a alcançar é o que levamos
desta vida depois de o transmitirmos a quem dele necessitar. O amor pode ser de
pai/mãe, irmã(o), avó(ô), tio(a), sobrinho(a), este é o amor mais puro,
primitivo, que nos acompanha desde o momento em que nascemos até ao que
morremos, este não se aprende nasce-se com ele. Também existe o amor de amigos,
quando já convivem juntos há muito tempo, quando se tratam quase como uma família
não de sangue mas de coração. Depois vem o amor entre duas pessoas que
sentem-se atraídas uma pela outra, um amor que transmite proteção/segurança,
carinho, paixão, respeito e lealdade, o que todos procuram mas nem todos acham.
Muitas vezes a alma gémea procurada estava mesmo ao
nosso lado mas por sermos parvos e burros, não existe outra forma de
caraterizar o ser humano em relação a isto, deixamos abalar, por algo que
fizemos ou dissemos sem ter a consciência que aquela pessoa que sempre nos
apoiou, o fez como uma forma de demonstrar o que sentia por nós. Mas o que nós
fizemos? Maioritariamente ignoramo-la e rebaixamo-la por estarmos interessados
em algo que não existe, uma imagem fantasiada que criamos como ser
perfeito. Quando mais tarde temos noção
do que fizemos e somos atingidos pela verdade que a pessoa certa para nós já
não está por perto a única solução é deixar o tempo atuar, e sarar todas as
feridas que possamos ter criado.
E quando o
coração gosta de ser dramático e apaixona-se por alguém que não está
propriamente ao nosso alcance, e a única solução é nos afastarmos para que não
entremos numa montanha russa em que a ultima paragem é um desfiladeiro.
Afastar, porquê? Boa questão, normalmente quando nos apaixonamos por alguém que
gosta de outra pessoa, a tendência poderá ser fazer a outra pessoa apaixonar-se
por nós. Mas quando isso é impossível e sabemos que não irá resultar em nada de
bom, o melhor será deixa-lo ser feliz com que ele ficar. Porque amar é querer a
felicidade da outra pessoa, mesmo que para isso tenha que se afastar, pois a
felicidade do outro já nos deixa felizes.